
Criança Feliz chega aos lugares mais distantes do país
Inclusão
Em Careiro da Várzea, no Amazonas, visitadoras do programa enfrentam dificuldades para acompanhar as famílias
Publicado em 30/05/2018 15h35
Foto: Rafael Zart/MDS

Visitadora do Criança Feliz acompanha criança no Amazonas.
Brasília – Roseane Amorim, de 26 anos, mora numa casinha humilde, construída em cima de palafitas na comunidade de São Francisco, em Careiro da Vázea, região metropolitana de Manaus (AM). O barco é o único meio de transporte que dá acesso à cidade. Quando o rio Amazonas não está cheio, é preciso andar por um caminho de madeiras finas que não ultrapassam 20 centímetros de espessura para chegar à casa de Roseane.
Nenhuma dessas dificuldades impede que o atendimento do Criança Feliz chegue até o pequeno Hector, de dois anos, filho de Roseane. Ele vem sendo acompanhado há quase um ano e já é possível ver as mudanças nas interações entre ele e a mãe. Agora, mesmo em simples brincadeiras, Roseane tem consciência de que está colaborando para o desenvolvimento integral de Héctor.
“O Criança Feliz é importante para mim. A Rosa, visitadora, orientou-me em muitas coisas que eu não sabia. O Héctor evoluiu, ficou mais brincalhão e aprendeu a falar mais coisas”, conta, com orgulho. A dona de casa espera que o filho tenha um futuro melhor e acredita que o apoio do Criança Feliz é fundamental para essa mudança. “Eu quero que ele seja uma pessoa melhor, com uma vida melhor do que a minha, tenha as coisinhas dele, que estude e consiga um bom emprego”.
A família de Roseane, composta pelo marido e os três filhos, é beneficiária do Bolsa Família. Os R$ 412 complementam a renda da família, que vive de bico. “Uso o dinheiro para comprar comida para as crianças. É uma segurança que eu tenho”, relata.
Héctor é uma das 34 crianças que a visitadora Roseney de Souza Nogueira, de 37 anos, acompanha em Careiro da Várzea – a maioria delas vive em situações bem parecidas. Ao todo, 100 famílias participam do Criança Feliz no município.
Roseney conta que não é fácil fazer as visitas. Existem lugares que estão a cinco horas de barco do centro da cidade. Em outros, as casas encontram-se em condições precárias e as crianças estão em situação de vulnerabilidade social. Mas, presenciar a felicidade das crianças é um grande aprendizado. “Quando chego à casa daquela família tão necessitada, sou recebida com sorrisos e o pouco que eles têm para oferecer querem dividir comigo. Acabei virando uma amiga, mãe e psicóloga. As pessoas querem ser ouvidas e aconselhadas”, comenta a visitadora, com alegria.
Integração - Psicóloga do Centro de Referência de Assistência Social (Cras) em Careiro da Várzea há dois anos, Cristiane Barbosa Ferreira também é a supervisora do Criança Feliz na cidade. Ela explica que o programa integrou áreas de saúde e educação, principalmente, à assistência social. Muitas famílias não sabiam como verificar as vacinas das crianças, outras tinham problemas com a escola dos filhos. Duas dificuldades que influenciam diretamente nas condicionalidades do Bolsa Família.
“Todo o apoio vem da assistência social, por meio do programa Criança Feliz, que faz essa intervenção a fim de que possamos buscar soluções para essas famílias e dar condições para inserí-las no programa e fazer com que a família consiga caminhar sozinha”, avalia Cristiane.
A partir de ações intersetoriais, os beneficiários do Criança Feliz contam com atendimentos nas áreas da saúde, assistência social, cultura, educação e de garantia de direitos. Para o ministro do Desenvolvimento Social, Alberto Beltrame, o programa é uma forma de promover a emancipação. “Eu tenho convicção de que nós temos visitadores entusiasmados, que acreditam no programa. Com certeza, esses visitadores estão mudando o curso da história de cada uma dessas crianças, possibilitando um futuro melhor para cada um deles.”
Reconhecimento – O programa Criança Feliz está crescendo gradativamente, com projeção internacionalmente. Neste mês, o Brasil recebeu a visita do canal de notícias digital Quartz, cuja sede fica em Nova Iorque, nos Estados Unidos.
A jornalista Jenny Anderson conta que veio ao Brasil para conhecer mais sobre o programa Criança Feliz e a importância do desenvolvimento infantil. “O Criança Feliz é um dos programas mais ambiciosos do mundo. Senti que era uma boa ideia vir aqui e conversar com as pessoas por trás desse esforço. O Brasil é um país gigantesco, muito diverso e o programa parece ser uma iniciativa que presta um grande serviço às mães, para que possam entender o quão importante são esses primeiros dias.”
Saiba mais
O Criança Feliz ampliou a rede de atenção e cuidado integral para a primeira infância. O programa vem mostrando que pequenos cuidados ajudam a reduzir desigualdades sociais e geram muito mais oportunidades no futuro. Semanalmente, visitadores levam às famílias orientações sobre a melhor maneira de estimular o desenvolvimento das crianças.
Ao todo, 2.685 municípios aderiram ao programa e em 2.071 deles as visitas domiciliares já começaram. A ações são voltadas às gestantes e crianças beneficiárias do programa Bolsa Família de até 3 anos, e àquelas de até 6 anos que recebem o Benefício de Prestação Continuada (BPC). São 287.516 pessoas, entre crianças e gestantes, acompanhadas semanalmente.
*Por Pamela Santos
Informações sobre os programas do MDS:
0800 707 2003
Informações para a imprensa:
Ascom/MDS
(61) 2030-1505 / 9.9229-6773
www.mds.gov.br/area-de-imprensa
Post a comment